Pular para o conteúdo principal

Entre o partir e o ficar



Há tempo de ficar e tempo de partir. Ir embora e voltar. 
Foi assim que entendi o meu processo de voltar de missões. No início eu senti como se tivesse dado uma lambida no Pirulito e que alguém o tivesse pegado e me deixado na vontade. Soou feio isso. É uma metáfora. Espero que tenha entendido.
Não? Ok vou explicar. Era como se tivesse me deliciado com algo novo, maravilhoso, que sempre quis e que não sabia que sempre havia desejado. Como poderia querer algo que não sabia que queria? Sempre esteve aqui no fundo. Uma vontade. Um anseio maior que meu peito. E quando voltei pra casa senti como se tivesse perdido tudo. Como se fosse um vislumbre do que eu sempre quis viver. Do que sei que vai colorir a paisagem dos meus futuros dias.
Daí lembrei, melhor, fui lembrada de que essa obra será completada. É uma promessa. Aquele que começou a boa obra há de completá - La. 
Há um tempo certo. Entre o ir e o chegar, há o ficar. Não entenda como um tempo apático. Mórbido. Sem alegria. Ou propósito. Também não é perda de tempo. É o inverso. Talvez seja o mais importante. O que dará sentido ao ir.
Ficar é entender que por agora, estou onde deveria estar. Quando tiver de ir, saberei. Foi o que o dono da obra me disse.
Enriquecer o hoje. O aqui,  e o agora. Essas pessoas daqui. Fazer valer a pena e entender o motivo de ir. 
Meu senso de revolução é o cerne da minha missão. Se isso está comigo quase que no meu âmago, então onde estou, está a missão. 
Por enquanto. Os outros passos serão revelados. Basta a cada dia o seu próprio mal. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um relato sobre o câncer- Por Sueli Martins (minha mãe)

“Até aqui nos ajudou o Senhor. Grandes coisas fez por nós e por isso estamos alegres.” - Salmos 126:3 Há exatamente um ano, descobri um nódulo na mama esquerda enquanto tomava banho. Fiz alguns exames e infelizmente veio o resultado: Era mesmo câncer, um nódulo de 2,2 cm estava apontando em meu corpo. Quando você recebe um diagnóstico desses é como se recebesse uma sentença de morte, em um primeiro momento. Só que   na realidade não é bem assim. Com a medicina avançada e avançando dia a dia, existem várias maneiras de se combater essa triste doença. Fiz outra bateria de exames, dessa vez mais específicos, que constataram o tipo de tumor e qual seria o tratamento. Começando assim uma longa batalha em minha vida. Meu nome foi para um fila de regulação do SUS, sim, fiz o tratamento todo pela rede pública. Tive de esperar algum tempo. Confesso que essa espera me deixou angustiada, ansiosa a ter que ainda ser chamada para dar início ao tratamento. Sem uma data marcad...

Me casei, e agora?

Até os meus 19 anos, casar era um sonho muito grande no meu coração. Não diria que era o maior sonho da minha vida, já que morar fora ocupava o primeiro lugar dessa lista. Assim como muitas meninas jovens, sempre gostei de livros e filmes românticos — li e assisti a muitos — e fui bastante influenciada por essa ideia hollywoodiana sobre o amor. Após os meus 19 anos e minha primeira desilusão amorosa (gostar de alguém que não correspondeu aos meus sentimentos), passei a dizer que me casaria com um gringo de olhos azuis. Não sei bem de onde tirei essa ideia ou essa possibilidade, já que morava no Brasil e não tinha nenhuma condição financeira de fazer intercâmbio nem nada parecido. Hoje, olhando para trás, penso que foi uma forma do meu coração se proteger de outra rejeição — desejando algo tão distante e improvável, as chances de me ferir eram mínimas. Então, passei a nutrir esse sonho, ou melhor, essa ideia, no coração. Ao longo dos anos, fui bastante confrontada por pessoas próximas...

Setembro: a humildade dos pequenos começos e o curso de alemão

Setembro mal começou e já tem sido um mês de muitos aprendizados e muita adaptação por aqui. Depois que me mudei de Belfast para a Alemanha, muita coisa vem acontecendo: muitas adaptações e novos começos, como falei um pouco no texto de agosto. Rolando pelo Pinterest um dia, vi uma citação com tom humorístico sobre o quanto, às vezes, a gente já quer ser muito bom em algo que acabou de começar, e pude me identificar com isso ainda mais nesse momento presente, fazendo um curso de alemão. Minha ideia ao chegar aqui foi ter alguma coisa para fazer, e voltar a estudar me pareceu uma boa forma de tentar receber algumas sugestões e dicas úteis de como poderia dar continuidade ao aprendizado dessa língua tão difícil e cheia de estigmas. Mas, preciso dizer: não tem sido fácil. Primeiro, porque o percurso até a escola é bem longo todos os dias, é preciso acordar super cedo e lidar com toda a complexidade que é aprender um novo idioma. Eu diria que essa é uma das experiências que mais tem me co...