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Postagens

Cultivando o silencio

Em um dos textos anteriores relatei minha experiência longe das redes sociais e toda a questão do silêncio. Desde então, tenho buscado cultivar e refletir sobre isso de forma mais intencional e com mais tempo também. Como falei naquele texto, comecei a perceber o quanto, em todos os espaços de silêncio em que eu me encontrava, acabava logo preenchendo-os com música, podcasts e afins. E o ponto aqui não é problematizar essas coisas, pois elas em si não são necessariamente ruins, mas sim a forma como lidamos com elas — como acontece com tudo na vida. Entendendo isso e querendo gerenciar melhor o silêncio, comecei a inserir propositalmente esses espaços na minha rotina. Ao invés de ir logo para a música, o vídeo ou o podcast, passei a sentar um pouco em silêncio — seja no meu momento de oração e leitura da Palavra, seja ao longo do dia. Desde que comecei a encarar e abraçar o silêncio, tenho aprendido algumas coisas (e foi assim que surgiu a ideia deste texto). A primeira delas foi entend...
Postagens recentes

Quando o muito refletir se torna enfado

Não quero soar como um disco riscado ao falar sobre terapia, mas não tem jeito: muitas das minhas reflexões recentes têm surgido por causa dela. É lá que muitos pensamentos se organizam e encontram sentido — e com o assunto do texto de hoje não é diferente. No texto anterior, escrevi sobre minha experiência estando fora das redes sociais, sobre a questão do silêncio e o quanto ele faz bem para nos percebermos e diminuirmos a quantidade de estímulos externos que recebemos. E, ao viver isso na prática, me vi ponderando e engajando muitas reflexões — o que, na minha vida e para a minha pessoa, não é novidade. Sendo assim, unindo o silêncio e o tempo livre, acabei tendo muita oportunidade de refletir e ponderar sobre muitas coisas, ainda mais do que o normal. E me vi em um ciclo infinito de levantar questões profundas sem ter respostas para tamanhos questionamentos — nem sequer de forma mínima. Foi em uma sessão de terapia que uma fala da minha psicóloga me atravessou: “Nem todo pensam...

Ficar fora das redes sociais- um relato

Desde que o ano começou, decidi ficar um tempo fora das redes sociais. Na verdade, desde o ano passado venho tentando ser um pouco mais consciente sobre o meu uso das redes, e a principal razão para isso foi perceber quanto tempo eu gastava nelas — principalmente no Instagram — fazendo vários nadas, basicamente vendo memes, a cada minutinho livre ao longo do dia. Pensando nisso e estudando um pouco sobre como funcionam o algoritmo das redes sociais e a neurociência, foi uma decisão relativamente simples: ficar um tempo longe, quase como se eu estivesse fazendo um experimento comigo mesma. E os resultados vêm me surpreendendo de forma muito positiva. Primeiro, comecei a perceber o que me levava a gastar tanto tempo rolando o feed (nem são tantas horas assim, mas mais de duas por dia já acho um pouco preocupante se você não trabalha com isso). Entendi que o tédio me levava a esse ciclo: eu gastava um tempo considerável ali e depois me sentia mal por isso, por saber o quanto isso faz mal ...

Leituras de 2025

No ano de 2024 fiz uma postagem com as leituras daquele ano e achei bem útil compartilhar novamente — primeiro, para que eu tenha o registro dos livros, e segundo, para quem sabe acabar sendo uma sugestão de leitura para você, leitor(a). Quero dizer também que, neste último ano, os suspenses psicológicos estiveram em alta na minha lista, então não se espante. Vou deixar também um breve comentário em alguns deles, seguindo o que anotei no meu caderno. Espero que goste! O casal que mora ao lado (suspense, crime, psicológico). Tudo o que a gente sempre quis. Primeiro e único. Laços inseparáveis. (Os livros 2 ao 4 são da mesma autora, e gostei bastante da escrita e das histórias dela.) Vem comigo? (Não esperava por esse final.) O que o vento sussurra (muito bom, melhor livro do ano para mim; romance/fantasia histórica muito bem construída). Beleza perdida. Correndo descalça. Se você soubesse (dei 3 estrelas). As pessoas na plataforma 5 (dei 4 estrelas). ...

Novembro: Intencionalidade na Vida e na Fé

O fato de eu fazer terapia já foi tema de outros textos, e sempre digo o quanto a terapia me rendeu mais perguntas do que respostas, e que o processo terapêutico não é fácil, mas é necessário e proveitoso. Fazer terapia é fácil: pagar as sessões, ter a rotina do dia em que ela acontece também; o difícil é assumir a nossa responsabilidade nas descobertas que fazemos, nos gatilhos que se tornam claros, no nosso sistema de crenças limitantes.  O que pega mesmo é, no dia a dia, colocar em prática e ter o compromisso de assumir o papel de protagonista da nossa própria história, sem colocar a responsabilidade no outro, na vida, no que nos aconteceu, mas entender que, apesar de todas essas coisas, somos adultos e precisamos tomar as rédeas da nossa vida e sermos responsáveis por nós mesmos. E, francamente, colocar todas essas descobertas em prática não é fácil, além de não ser leve também — pelo menos não no início. Tem dias em que me dá preguiça, e dá muito mais trabalho ter consciência...

Outubro: manutenção.

Se formos parar para refletir bem sobre a vida, perceberemos que muito dela é vivido na rotina — as mesmas coisas de sempre, feitas quase todos os dias. E assim, cada segundo, cada minuto que passa parece ser irrelevante no esquema geral das coisas, até percebermos que eles são toda a nossa existência — breve, mas não tão rápida. O mês de outubro tem sido um mês de manutenção por aqui. Acabei de me mudar para um novo apartamento e, entre comprar novos móveis, esperar chegar e lidar com muita bagunça, percebi o quanto a vida é sobre manutenção . Hoje limpamos a casa, para logo fazermos de novo. Estendemos as roupas no varal, para logo recolhê-las. E assim vai acontecendo todos os dias — ou, pelo menos, quase todos. E não falo isso como algo ruim ou negativo; pelo contrário, me considero uma pessoa fã de rotina. Ou melhor dizendo: não a amo de paixão, mas temos um relacionamento amigável. É aquela coisa de que pensamos odiá-la até começarmos a fazer algo diferente todos os dias ou tod...

Me casei, e agora?

Até os meus 19 anos, casar era um sonho muito grande no meu coração. Não diria que era o maior sonho da minha vida, já que morar fora ocupava o primeiro lugar dessa lista. Assim como muitas meninas jovens, sempre gostei de livros e filmes românticos — li e assisti a muitos — e fui bastante influenciada por essa ideia hollywoodiana sobre o amor. Após os meus 19 anos e minha primeira desilusão amorosa (gostar de alguém que não correspondeu aos meus sentimentos), passei a dizer que me casaria com um gringo de olhos azuis. Não sei bem de onde tirei essa ideia ou essa possibilidade, já que morava no Brasil e não tinha nenhuma condição financeira de fazer intercâmbio nem nada parecido. Hoje, olhando para trás, penso que foi uma forma do meu coração se proteger de outra rejeição — desejando algo tão distante e improvável, as chances de me ferir eram mínimas. Então, passei a nutrir esse sonho, ou melhor, essa ideia, no coração. Ao longo dos anos, fui bastante confrontada por pessoas próximas...