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Questão cultural


Com o passar dos anos a vida nos torna amargos e ressentidos não porque escolhemos, mas porque a vida nos torna assim… muitas vezes ouvi dizer que escolhemos o que pode ou não nos machucar, mas infelizmente não aprendemos dessa forma somos permissivos em nos ferir, não sei se é um problema cultural ou familiar. Ainda me lembro da minha infância, fomos orientados a não brigar e se acontecer não podíamos apanhar, pois se apanhássemos, apanharíamos quando chegássemos  em casa… éramos orientados a revidar e eu acredito que esse é um tipo de cultura irracional.  Não aprendemos a ser amáveis muito menos sensíveis à dor dos outros, somos incentivados a debochar e menosprezar a fraqueza de muitos. Somos tão cruéis não somente   com o próximo isso inclui familiares amigos conhecidos, mas principalmente com o que não  conhecemos aquilo que nos soa estranho ou desconhecido, somos tendenciosos a rejeitar. Se é cultural, é uma cultura cruel e temos o dever e a obrigação de mudar isso, não podemos ser   meros expectadores do sofrimento de outrem, temos o dever de ser a cura para que a cura nos  alcance, que nossas palavras sejam doces para que possamos adoçar a vida dos que nos cercam, que os nossos braços sejam aconchegantes como um abraço de quem ama. Somos espelhos de algo superior muitos dizem ser Deus, outros uma força… prefiro crer que existe um Deus que nos ama e nos ensina tudo em suas escrituras. Sou suspeita, pois, gosto muito da graça e misericórdia de Jesus porque ele é expressão máxima de amor incondicional.
Posso citar um acontecimento de quando um leproso se encheu de coragem e escolheu buscar Jesus  para que suas palavras de cura o curassem. Ele não somente recebeu o que queria, mas se surpreendeu mais ainda quando ao ser ouvido daquele que muito amou e muito ama, liberar não apenas uma doce palavra, mas receber o toque no intocável para que pudéssemos entender  que isso é amor, o amor que supera barreiras. Ele poderia liberar uma palavra apenas, porém ele fez muito mais o tocando e creio que ele ainda deseja nos tocar desde que saiamos do lugar que nos aprisiona nos padrões dessa cultura egoísta e separatista que separa “os bons” dos “maus” ou “justos dos injustos” ou “bonitos dos feios” os “espertos dos não tão espertos”... Entre outros adjetivos. Temos medo do que pensam de nós e acabamos nos escondendo de quem verdadeiramente somos e acabamos nos padronizando ao ambiente em que vivemos nos escondemos atrás de pessoas que admiramos e nos negamos para sermos aceitos não pelo que somos, mas pelo o que fazemos. Somos então deficientes de nós mesmos somos apenas cascas de alguém ou de algo. Entendo que sair dessa zona de “conforto” se é que podemos dizer assim existe um custo, o custo de se preocupar com o que os outros vão dizer, em abrir mão de certos padrões, conceitos e preceitos, você pode andar sozinho por um tempo, se sentir rejeitado pelos padrões, fácil não é, mas, com certeza vale a pena, pois só existe um que pode mudar sua história.
- Fabiana Martins

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