Pular para o conteúdo principal

Minha rotina aqui em Belfast e mais

 Sempre me sinto um pouco infiel de registrar tão pouco sobre a minha vida aqui, em parte porque sinto que talvez não seja tão importante documentar e em parte porque a rotina acaba não permitindo. Então resolvi escrever esse texto para documentar como são meus dias aqui e como tenho passado.

Ainda não acredito que já fazem quase dois anos que estou aqui na Irlanda do Norte, parece uma vida. E acredito já ter documentado em outro texto como esse meu segundo ano aqui tem sido diferente, primeiro porque estou morando sozinha e segundo porque minha vida não se resume mais só a trabalhar para igreja em período integral. Continuo trabalhando e servindo o corpo de Cristo mas hoje em dia é em meio período, isso significa que lidero o grupo de jovens e adultos da minha igreja local Irlandesa (City Church),  dou aulas para a comunidade de inglês e ajudo em tudo o que posso com o ministério das crianças e adolescentes. Também temos a igreja brasileira em que sirvo com as crianças e traduzindo o culto (essa última tarefa é uma das que eu mais gosto). Ao longo da semana temos nossas reuniões e planejamentos para os eventos e programas que a igreja faz para as pessoas e também tenho minha vida normal fora disso tudo sendo uma dona de casa. 

E não só isso, acabo fazendo de tudo um pouco, fico de babá, ajudo a ficar com cachorro, criança e idoso, tenho dado aulas, e feito o que está ao meu alcance. Uma das coisas que mais me deixam satisfeita é ter meu próprio espaço aqui para receber meus amigos, fazer a nossa célula brasileira, convidar amigos para um almoço ou um brunch, e me descobri sendo uma ótima anfitriã, dá um pouquinho de trabalho mas eu adoro. Fazer uma boa comida, colocar a mesa, ouvindo minhas músicas brasileiras bem aconchegantes, e bater altos papos dos mais triviais aos mais teológicos/ filosóficos. E em tudo ver que Deus se move e é em cada detalhe, jamais poderia ter imaginado como essa aventura de vir pra cá teria se desenvolvido. Quantos capítulos já foram escritos, quantas aventuras, viagens, choros, ataques de riso, comecei até a namorar. Acho que no fundo a única pessoa que não imaginava tudo isso acontecendo era eu mesma, porque todo mundo que sempre me acompanhou já sabia onde tudo isso ia dar. Ou pelo menos, imaginava. 

Sou muito grata aos amigos que conquistei ao longo desse tempo, extremamente privilegiada de ter uma igreja que caminha comigo, a família do meu pastor Neto sempre me ensinando tantas coisas, sendo tão acolhida e aprendendo lições que já formam a pessoa que estou me tornando. Aos amigos que conquistei aqui, pessoas que oram comigo, dividem as lutas, o choro e o riso também. Aos meus amigos que estão em cada parte do mundo: sou muito grata por vocês ouvirem meus podcasts de 100 minutos, de acompanharem minha vida por vídeo, foto, chamadas, e por  ocuparem o espaço que vocês sempre tiveram, quanto estávamos fisicamente juntos e estando agora distantes.  Os meus pais que sempre me apoiam, e sonham comigo meus sonhos, por me amarem além das palavras. A saudade é uma questão difícil de se lidar mas ainda assim, onde existe saudade significa que há amor e isso é lindo. É presente de Deus poder amar e ser amada assim. 

Sobre o futuro e os próximos passos ainda não tenho certeza, mas sigo confiante que Deus é fiel e poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. E é gostoso demais poder fazer parte do que Ele tem feito no mundo, a gente só precisa se dispor, olhar ao redor, servir no que a gente puder, mandar uma mensagem pra aquela pessoa que visita nossa lembrança, oferecer ajuda e serviço quando está ao nosso alcance (e mesmo quando não está) porque servir ao próximo é servir a Deus. E isso é missão também. Não tem uma fórmula ou receita, ou até tenha, o arroz e feijão que sempre alimenta: somos abençoados para abençoar, Deus nos alcança para alcançarmos outros e assim seguimos até ser dia perfeito. 

Obrigada por caminhar comigo! 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um relato sobre o câncer- Por Sueli Martins (minha mãe)

“Até aqui nos ajudou o Senhor. Grandes coisas fez por nós e por isso estamos alegres.” - Salmos 126:3 Há exatamente um ano, descobri um nódulo na mama esquerda enquanto tomava banho. Fiz alguns exames e infelizmente veio o resultado: Era mesmo câncer, um nódulo de 2,2 cm estava apontando em meu corpo. Quando você recebe um diagnóstico desses é como se recebesse uma sentença de morte, em um primeiro momento. Só que   na realidade não é bem assim. Com a medicina avançada e avançando dia a dia, existem várias maneiras de se combater essa triste doença. Fiz outra bateria de exames, dessa vez mais específicos, que constataram o tipo de tumor e qual seria o tratamento. Começando assim uma longa batalha em minha vida. Meu nome foi para um fila de regulação do SUS, sim, fiz o tratamento todo pela rede pública. Tive de esperar algum tempo. Confesso que essa espera me deixou angustiada, ansiosa a ter que ainda ser chamada para dar início ao tratamento. Sem uma data marcad...

Rute e Ester, mulheres que viveram por um propósito

 Olá amigos, não sou muito de compartilhar as meditações que faço ou leituras bíblicas e achei isso um desperdício, então hoje estou aqui escrevendo as meditações e coisas que aprendi com a leitura dos livros de Rute e Ester. Gosto muito de ler as histórias das mulheres na Bíblia, de onde vieram, o que fizeram, como viveram e como sempre houve espaço para elas nas sagradas escrituras quando Deus é/foi o Senhor de suas vidas.  Antes de prosseguirmos gostaria de explicar as categorias ou questões que procurei responder com a leitura dos livros, que foram dividas em: Contexto, propósito do livro, temas e as aplicações/lições que aprendi. Minha Bíblia é a de estudos da mulher então para cada novo livro há uma folha de introdução respondendo todas as questões sobre o livro em si. Vamos lá? Rute: Contexto: Começa e termina em Belém, na cidade de Moabe (terra que se originou pelo incesto entre Ló e sua filha mais velha). Propósito: Relacionamento quotidiano de uma família comum....

Me casei, e agora?

Até os meus 19 anos, casar era um sonho muito grande no meu coração. Não diria que era o maior sonho da minha vida, já que morar fora ocupava o primeiro lugar dessa lista. Assim como muitas meninas jovens, sempre gostei de livros e filmes românticos — li e assisti a muitos — e fui bastante influenciada por essa ideia hollywoodiana sobre o amor. Após os meus 19 anos e minha primeira desilusão amorosa (gostar de alguém que não correspondeu aos meus sentimentos), passei a dizer que me casaria com um gringo de olhos azuis. Não sei bem de onde tirei essa ideia ou essa possibilidade, já que morava no Brasil e não tinha nenhuma condição financeira de fazer intercâmbio nem nada parecido. Hoje, olhando para trás, penso que foi uma forma do meu coração se proteger de outra rejeição — desejando algo tão distante e improvável, as chances de me ferir eram mínimas. Então, passei a nutrir esse sonho, ou melhor, essa ideia, no coração. Ao longo dos anos, fui bastante confrontada por pessoas próximas...