Desde que o ano começou, decidi ficar um tempo fora das redes sociais. Na verdade, desde o ano passado venho tentando ser um pouco mais consciente sobre o meu uso das redes, e a principal razão para isso foi perceber quanto tempo eu gastava nelas — principalmente no Instagram — fazendo vários nadas, basicamente vendo memes, a cada minutinho livre ao longo do dia.
Pensando nisso e estudando um pouco sobre como funcionam o algoritmo das redes sociais e a neurociência, foi uma decisão relativamente simples: ficar um tempo longe, quase como se eu estivesse fazendo um experimento comigo mesma. E os resultados vêm me surpreendendo de forma muito positiva.
Primeiro, comecei a perceber o que me levava a gastar tanto tempo rolando o feed (nem são tantas horas assim, mas mais de duas por dia já acho um pouco preocupante se você não trabalha com isso). Entendi que o tédio me levava a esse ciclo: eu gastava um tempo considerável ali e depois me sentia mal por isso, por saber o quanto isso faz mal para o cérebro e para a vida no geral. Era um ciclo vicioso: no dia seguinte eu tentava ser melhor… até o próximo momento de tédio, e tudo recomeçava.
Até que entendi que o tédio não é um vilão — na verdade, ele faz muito bem para o nosso cérebro e nos ajuda a sermos mais pacientes quando precisamos esperar. Talvez eu precisasse parar de tentar preencher cada espaço do meu tempo com estímulos.
O segundo ponto — ou melhor, outro resultado que comecei a perceber logo no início — foi a sensação de que meu dia tinha mais horas, ou de que estava mais “produtivo”, justamente por eu não estar mais tentando preencher cada intervalo livre com uma olhada no feed ou respondendo mensagens imediatamente. Era como se eu estivesse mais consciente da passagem do tempo ao longo do dia. E foi muito bom perceber isso!
Antes de continuar, quero fazer um adendo: este texto não é apenas uma crítica às redes sociais ou à internet no geral, como se eu estivesse demonizando tudo isso. Eu reconheço que existe um lado muito positivo em tudo isso. Este é apenas um relato sobre o meu tempo off e como essa experiência tem sido para mim.
Continuando: outra coisa que foi acontecendo aos poucos foi eu perceber que as redes sociais não eram os únicos estímulos aos quais eu estava “viciada”, mas também o barulho em geral — música, podcast, vídeos no YouTube. E não acho que ouvir música ou podcasts seja algo ruim, muito pelo contrário. Mas fui percebendo que todo espaço de silêncio era rapidamente preenchido por algum som.
Até que, de forma proposital, comecei a encarar esse silêncio. E fui percebendo o quanto foi positivo para mim ter esses momentos de completa quietude. Passei a ficar mais consciente do barulho da comida no fogo, das teclas do computador ao digitar, dos meus próprios passos pela casa, do vento e de um latido ocasional de cachorro. Foi impressionante. O que mais me chocou foi perceber que passei um dia inteiro em completo silêncio — nem falando sozinha eu falei — e só me dei conta disso quando meu marido chegou em casa e começamos a conversar.
Uma vez, uma professora da faculdade disse que, na opinião dela, nós não gostamos tanto da nossa própria companhia. Ela deu o exemplo de que, sempre que estamos sozinhos, ligamos a TV, o rádio ou qualquer outra coisa, porque o silêncio é algo que muitas pessoas não gostam. Depois dessa experiência, consegui entender melhor o ponto dela. E até concordar.
Durante esse tempo, também voltei a me dedicar a hobbies que não tinham relação com redes sociais ou internet, como pintar, sair apenas para caminhar sem celular ou fones de ouvido, cozinhar por prazer, escrever no meu diário e estudar temas que me interessam, como comportamento humano e ciência em geral. Ao fazer isso, fui me sentindo menos ansiosa, menos agitada e até menos irritada. É incrível o quanto conseguimos perceber quando não estamos tão distraídos.
Ainda não sei quando pretendo voltar a usar o Instagram (que é a rede social em que mais perco tempo), e confesso que quero continuar aplicando essas práticas que venho aprendendo sempre que deixo o celular de lado por um tempo. Existe, sim, uma vida fora das redes. Muitas vezes é uma vida entediante, com muita rotina, sem tantas novidades — às vezes até bem parada —, mas isso não deveria ser um problema. Isso é completamente normal.
Se refletirmos sobre como as pessoas viviam antes de a internet se tornar algo tão presente e essencial, era esse tipo de vida que levávamos: conversávamos mais olhando nos olhos, fazíamos mais coisas manualmente, estávamos mais presentes. É óbvio que o advento da internet trouxe muitas facilidades e melhorias, mas também tem nos adoecido bastante. Nosso cérebro não foi feito para processar tantas informações, nem nosso sistema nervoso para ir de uma emoção intensa a outra em questão de segundos. Não há como isso, a longo prazo, nos tornar mais saudáveis.
Sigo refletindo e me questionando sobre a vida que quero levar e achei importante compartilhar um pouco disso com você, porque sei que muitas pessoas têm percebido coisas semelhantes e estão se afastando, nem que seja minimamente, das redes sociais.
Quero deixar também algumas sugestões, caso você esteja pensando em passar um tempo fora das redes, com base no que funcionou para mim:
Algumas sugestões:
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Desinstale do seu celular os aplicativos em que você passa mais tempo. Deixe o aparelho mais básico e menos interessante.
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Desafie-se a retomar algum hobby de que você gostava: colorir, desenhar, ler, cozinhar etc.
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Tente sair um pouco de casa sem o celular — para ir ao mercado, à padaria. Volte a usar até mesmo o cartão físico ou dinheiro, se for o caso.
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Abrace o silêncio. Tente, ao menos uma vez, realizar alguma tarefa sem nenhum estímulo externo, apenas com seus próprios pensamentos.
Vamos juntos viver e trocar figurinhas.
Me conta o que você achou do texto e se tem pensado ou percebido algo parecido.
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