Não quero soar como um disco riscado ao falar sobre terapia, mas não tem jeito: muitas das minhas reflexões recentes têm surgido por causa dela. É lá que muitos pensamentos se organizam e encontram sentido — e com o assunto do texto de hoje não é diferente.
No texto anterior, escrevi sobre minha experiência estando fora das redes sociais, sobre a questão do silêncio e o quanto ele faz bem para nos percebermos e diminuirmos a quantidade de estímulos externos que recebemos. E, ao viver isso na prática, me vi ponderando e engajando muitas reflexões — o que, na minha vida e para a minha pessoa, não é novidade.
Sendo assim, unindo o silêncio e o tempo livre, acabei tendo muita oportunidade de refletir e ponderar sobre muitas coisas, ainda mais do que o normal. E me vi em um ciclo infinito de levantar questões profundas sem ter respostas para tamanhos questionamentos — nem sequer de forma mínima.
Foi em uma sessão de terapia que uma fala da minha psicóloga me atravessou:
“Nem todo pensamento precisa ser cultivado; alguns precisam ser descartados.”
Ouvir isso foi como um alívio em meio a um terremoto de questionamentos, reflexões e uma profunda sensação de impotência diante de questões tão maiores do que eu.
E o meu ponto aqui não é dizer que precisamos ser pessoas fúteis, que se distraem o tempo inteiro com coisas supérfluas para anestesiar as dores da vida — o que também não é saudável. Mas existe um certo tipo de dano quando refletimos tanto sobre a vida que esquecemos de vivê-la.
Outra lição que pude tirar dessa fala foi levá-la para a vida como um conselho mesmo: quantas das nossas questões, sentimentos e até ações não acabam acontecendo porque engajamos demais com o que passa em nossa mente, como se fossem a verdade suprema sobre tudo, quando, no fundo, são só pensamentos?
Isso serve para os momentos de profunda ansiedade, mas também para trazer consciência diante do que se passa em nossa mente. Nem todo pensamento é verdadeiro — e nem todos precisam ser levados adiante.
Dessa forma, fui entendendo mais uma vez que tudo o que preciso é de uma dose de equilíbrio, pois a sabedoria não se encontra nos extremos, mas na moderação. E é assim que preciso seguir: vivendo um dia de cada vez, a porção de cada dia, cultivando a leveza e não trazendo mais dores e enfado para minha vida em um mundo que já faz isso muito bem.
Eclesiastes 12:12 diz que “o muito estudar é enfado da carne”, e ouso parafrasear ao dizer que o muito pensar também pode ser. Tomemos cuidado com isso e sigamos em frente — pois é para lá que a vida anda.
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