Em um dos textos anteriores relatei minha experiência longe das redes sociais e toda a questão do silêncio. Desde então, tenho buscado cultivar e refletir sobre isso de forma mais intencional e com mais tempo também.
Como falei naquele texto, comecei a perceber o quanto, em todos os espaços de silêncio em que eu me encontrava, acabava logo preenchendo-os com música, podcasts e afins. E o ponto aqui não é problematizar essas coisas, pois elas em si não são necessariamente ruins, mas sim a forma como lidamos com elas — como acontece com tudo na vida.
Entendendo isso e querendo gerenciar melhor o silêncio, comecei a inserir propositalmente esses espaços na minha rotina. Ao invés de ir logo para a música, o vídeo ou o podcast, passei a sentar um pouco em silêncio — seja no meu momento de oração e leitura da Palavra, seja ao longo do dia.
Desde que comecei a encarar e abraçar o silêncio, tenho aprendido algumas coisas (e foi assim que surgiu a ideia deste texto). A primeira delas foi entender por que muitas vezes eu me sentia desconfortável com ele: o tédio e o medo dos meus próprios pensamentos — ou melhor, dos meus próprios sentimentos — apareciam, junto com um certo receio de ouvir meu próprio coração.
Descobri que é nesses espaços de quietude que os sentimentos começam a dar as caras: uma ofensa sentida por algo que alguém disse ou fez, percepções de medo ou ansiedade e até o motivo de estar sentindo tudo isso. Mas também surgem ideias — para um projeto, uma receita, um look ou um texto.
Então, encarar e cultivar o silêncio não tem sido algo ruim. Muitas vezes ele traz reflexões, e outras vezes apenas a ausência de barulho e um descanso para a mente e o coração.
Percebo como é fácil me distrair com muitas coisas disputando minha atenção quando não acolho o silêncio. Pois é justamente nesse lugar que muitas vezes encontro o Senhor. E talvez tenha sido por isso que percebi que, em muitos momentos, eu evitava o silêncio.
Sabendo que ele é um espaço propício para Deus falar comigo, tive medo — medo do que Ele poderia me dizer, orientar ou exortar. Um pecado não confessado, um pedido ou um liberar de perdão. E é curioso perceber como algo tão simples quanto o silêncio pode gerar reflexões profundas sobre a voz de Deus e a necessidade de aquietar o coração.
Com isso, não quero dizer que devemos dar ao nosso coração ou aos nossos sentimentos a última palavra — sabemos o quanto eles podem ser volúveis. Mas é nesses espaços de quietude que conseguimos acessar o nosso interior com mais clareza e perceber o que está acontecendo dentro de nós.
Somos feitos de corpo, alma e espírito. Faz parte da nossa experiência como seres humanos acolher nossa subjetividade e submetê-la ao Senhor (para os cristãos).
Também são nesses momentos que surgem orações — por um amigo ou por alguém que vem à mente de forma aparentemente aleatória. Às vezes lembramos de passagens bíblicas já lidas ou de um texto que, de repente, ganha sentido para o momento presente.
Do ponto de vista psicológico, o silêncio também nos ajuda a perceber quais pensamentos estamos alimentando — pensamentos que acabam se transformando em sentimentos e, consequentemente, em ações. Isso nos ajuda a entender conflitos que podem surgir em nós, nos nossos relacionamentos ou nos ambientes em que estamos.
Dito tudo isso, gostaria de nos encorajar a cultivar uma vida que acolha o silêncio como algo importante e necessário para o nosso relacionamento conosco, com Deus e com o outro. Aqui vão algumas perguntas para começar:
1 – Quais são os momentos de silêncio que você já tem no seu dia a dia? Ao tomar café? Ao se organizar para sair de casa? No momento de ir ao banheiro (sem levar o celular)?
2 – Em qual horário do seu dia o silêncio seria mais proveitoso para você? Não precisa começar com muito tempo — cinco minutos já são suficientes.
3 – Preste atenção e, se possível, anote o que vier à mente ou como foi essa experiência.
Me conta depois se você tentou incluir momentos de silêncio na sua rotina e como foi para você. Nos vemos no próximo texto.

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