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Também sou uma maltrapilha


Era mais um dia normal, em mais uma das refeições do dia. Não sei com clareza se era o almoço ou o jantar, mas estavam todos ali reunidos: Pedro, João, Lucas, Mateus e todos os outros, de repente chegam mais dois ou três. Pecadores, publicanos, enfermos, inferiorizados. Todos maltrapilhos. Logo foram escandalosamente tratados com tamanha humanidade, e ainda mais, tratados com um amor absurdo que os acolhia ali á mesa.
Foram dados acentos, onde puderem se acomodar de uma melhor maneira, desfrutar da refeição e da companhia. Puderam ouvir os fariseus perguntando aos discípulos porque o Mestre deles comia com pecadores, a resposta veio de imediato, do próprio mestre, dizendo:
- Os sãos não precisam de médico e sim os doentes, não vim chamar justos e sim pecadores ao arrependimento.
Essa cena de Jesus sentar a mesa e comer com os inferiorizados, aqueles que eram tidos e rotulados como o pior da humanidade, a escória do mundo, até mesmo como lixo, foi o que me fez enxergar com outros olhos aquilo que antes parecia que eu não via.
O quanto eu também sou maltrapilha, o quanto que eu, embora não tenha nenhum desses rótulos e socialmente não seja rotulada e nem excluída pela sociedade da mesma forma, sou indigna e sempre serei do amor de Deus. Precisamos ir de encontro ao evangelho da graça, em entender que nada do que a gente fizer ou deixar de fazer, alterará o amor do Senhor por nós, porque eu nunca pude fazer nada para merecê-lo e nem nunca irei. Que eu sou alvo de um amor e de uma graça tão absurdamente maiores do que eu e do que a minha capacidade de compreender, e que isso não depende nenhum pouquinho de mim. Foi me dado de graça e através da mesma.
Sou como uma criança, que tudo o que possuí nessa vida não depende dela mesma, mas que foi lhe dado de presente. Assim é no reino dos céus.
Não quero ser como esses fariseus, que falavam tanto da lei e do Senhor, mas não o conheciam e o negavam de todas as formas possíveis. Estavam longe achando estarem perto. Que o Senhor pela graça me dispa dessa máscara de falsa santidade, de um crescimento espiritual conseguido por um esforço independente.
Que eu me aninhe aos braços do meu Pai, desfrutando do amor dEle como uma criança, porque é isso que Ele é: Um Pai amoroso que cuida e ama seus filhos. E é isso que eu sou: Uma criança dependente do meu Pai, onde tudo o que possuo me foi dado de graça.


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