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Agosto: um novo começo e o ócio de possuir

Arthur Schopenhauer disse uma frase que se tornou famosa sobre a “ânsia de ter e o ócio de possuir”, e fiquei pensando nisso desde que cheguei aqui na Alemanha — dessa vez para ficar (esse é o plano). Já havia escrito anteriormente sobre a minha dificuldade pessoal em lidar com o fim dos ciclos e o quanto eu estava ansiosa para deixar Belfast e começar uma nova vida aqui, por vários motivos. Mas, quando cheguei, acho que finalmente essa frase me atingiu em cheio. Pensei: eu quis tanto estar aqui e, agora que estou, não sei bem o que fazer. Foi um sentimento de vazio, unido à sensação de que eu iria voltar, como tantas outras vezes em que estive aqui por um tempo curto — só que, desta vez, não é o caso. Confesso que minha ficha ainda está caindo sobre estar aqui, sobre começar uma nova vida, pensar e desenhar uma rotina, conhecer lugares, pessoas, aprender a língua e me redescobrir mais uma vez. Não é um processo fácil, muito menos rápido: demanda tempo, energia e tantas outras coisas q...

Sobre o amor

Indico a leitura do texto ao som dessa cancao:  https://www.youtube.com/watch?v=aM02uTDgGDU&list=RDaM02uTDgGDU&start_radio=1&pp=ygUjcXVlcm8gdGUgdmVyIHByYSBzZW1wcmUgY2Fpa2Ugc291emGgBwE%3D   Recentemente fui ao cinema (aquela coisa de me levar para sair, como sempre faço) e assisti ao novo filme romântico The Materialists , uma narrativa bem moderna sobre o amor e coisa e tal. Confesso que, em alguns momentos, me senti um pouco angustiada com os diálogos nus e crus sobre o amor, especialmente para a nossa geração: a fama que o casamento adquiriu de ser uma instituição falha e a busca incessante — diria até a idolatria — pelo amor romântico. Mas este texto não é sobre o filme, embora eu indicasse que você o assistisse, já que os diálogos são interessantes e sagazes de um jeito bom. Assistir a esse filme me atravessou. Desde que comecei a namorar, nunca escrevi um texto compartilhando um pouco da minha experiência, porque, na minha opinião, sinto uma certa vergonha alh...

Texto do fim do meu tempo em Belfast

Belfast me acolheu em um dos momentos mais dificies que ja passei (leia o post: relato de fe partes 1 e 2 no blog) foi aqui tambem que vivi grandes momentos, conheci muita gente bacana, vivi experiencias maravilhosas, surepreendetes e que em muitos momentos me faziam perguntar-me o porque de ser eu e nao outra pessoa porque na minha otica muitas vezes, outras pessoas mereciam mais. . Tres anos de Irlanda do Norte sendo dois servindo/trabalhando na City Church, e eu nao poderia prever que isso iria acontecer. Quando cheguei aqui nao achava que conseguiria ficar o primeiro ano, quem diria tres. Mas olha onde cheguei.  Belfast tambem me apresentou em uma nova versao minha, mais humana, mais real, e com isso aprendi a enxergar outra faceta de Deus tambem, que Ele nao muda quando nos mudamos, que Ele nao nos "joga fora" quando damos "defeito". Que Ele e e permanece fiel apesar de nos.  Aprendi  que a fe nao e uma coisa simples de se entender quanto mais de viver, e que e...

Julho: Meu aniversário, viagem para Maiorca e fazer listas

        Uma das coisas que sempre me ajudam muito quando me sinto ansiosa é escrever. Já relatei em outros textos a minha dificuldade de viver e encerrar ciclos, e desde o início do ano estive muito ansiosa depois de tomar a decisão de não continuar em Belfast, querendo que o tempo passasse rápido e que eu pudesse viver o próximo passo (aquela coisa da pressa de viver, e tal). Pensando e sentindo todos esses sentimentos conflitantes, resolvi escrever coisas que estavam para acontecer até o meu tempo aqui em Belfast finalmente terminar. Dentre elas, estava escrito: celebrar meu aniversário e a viagem para Maiorca com meu noivo e minha futura família alemã. Quando escrevi essa lista, senti como se tivesse motivos para ver o tempo passar sem todo aquele pesar da espera. Como li uma vez (e já escrevi sobre isso também), toda espera é sofrer o tempo, e não tem como fugir disso. Ao fazer listas dos eventos que estavam para acontecer, fui me animando e sentindo aquela ansie...

Sobre o novo filme do Super homem

Atenção: Antes de ler o texto, certifique-se de que você está ok em ler possíveis spoilers do novo filme da DC sobre o Superman. Uma das coisas que mais gosto de fazer comigo mesma é me levar para sair, seja tomar um café, ir a uma livraria ou ao cinema. Esta semana fiz dois programas em um só: fui à minha cafeteria preferida e depois ao cinema (foi meu aniversário, então me mimei!). Dos filmes que estavam em cartaz, o que me atraiu foi o novo do Superman — e olha que eu nem sou muito fã de filme de herói, porque acho tudo muito previsível: o mocinho apanha até quase morrer e destruir tudo, até que o bem vence o mal e fim. Mas, de qualquer forma, fui… e me surpreendi bastante! Achei o filme particularmente muito bem feito, com uma boa trilha sonora e visualmente muito bonito. Outro fator que me chamou a atenção foram as temáticas que o filme levantou e que conversam muito com o que temos vivido hoje em dia, principalmente no contexto de fake news e tecnologia, além do dilema moral so...

Sobre nossas inconsistências

Inconsistência substantivo feminino Qualidade, caráter ou estado do que ou de quem é inconsistente. Falta de consistência, de estabilidade ou de firmeza. "A i. de um material" Falta de lógica, de nexo; incoerência. Dicionário Oxford. Se tem uma coisa que todos nós temos tendência a ser, é inconsistentes — seja em nossas falas que não são seguidas por ações, seja em nos tornarmos exatamente quem tanto criticamos. Sim, é pesado, eu sei. Andei refletindo sobre isso nessas últimas semanas, e, confessando meu pecado aqui de peito aberto, percebi o quanto da minha justiça própria ficou ainda mais evidente quando me vi pensando coisas do tipo: "Nossa, mas fulano se diz tão certinho, tão honesto, tão espiritual... e está se comportando dessa maneira?" E, nos dias em que me batia uma consciência mais humilde, lembrava do que Jesus disse no Evangelho de Mateus, sobre olharmos para a trave em nosso próprio olho antes de apontarmos o cisco no olho do nosso irmão. Isso...

Quando falta celebração

  Faz algum tempo que recebo um conselho — um feedback bem específico — das pessoas mais próximas a mim. E, claro, toda reflexão acaba virando texto (ou quase todas), então aqui estamos. O conselho/feedback é: "Celebre, Mari." Ou: "Está faltando mais celebração." E eu concordo com essas falas. Não sei por que celebrar as coisas da minha vida sempre foi tão difícil. Acredito que é porque estou sempre preocupada e focada na próxima coisa — seja na lista de afazeres, em alguma resolução, seja no motivo da minha mais recente ansiedade — ou talvez em algo ainda mais profundo, que eu não parei para sentar e sentir, tentando encontrar a raiz. E quando falta celebração, sinto-me insatisfeita, infeliz, ranzinza, e até esqueço de contemplar o quanto Deus tem feito na minha vida. É tão fácil olhar para a vida dos outros e celebrar suas conquistas, mas é tão complicado quando se trata de nós mesmos — pelo menos para mim. Acho que, no fundo, eu sempre fico esperando "qu...